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Nunca conheceremos ao certo o número das vítimas do medo a sermos chamados conservadores.Li esta frase (ou semelhante), como sendo de Orwell. Se alguém a conseguir localizar, avise, para poder citá-la com propriedade.
"Quis vult post Me venire..."
Nunca conheceremos ao certo o número das vítimas do medo a sermos chamados conservadores.Li esta frase (ou semelhante), como sendo de Orwell. Se alguém a conseguir localizar, avise, para poder citá-la com propriedade.
Tempos de RevoluçãoVida difícil
Era a do povo de então
Trabalhava, trabalhava
E nada ganhava
Pagava impostos
Prestava serviços
Entregava rendas
Aos seus patrões
Aos seus senhores
Não tinha direitos
Só tinha obrigações
Vivia na miséria
Dominado
Subjugado
Pelo clero, pela nobreza
Mas... novos ideais surgiram
Liberdade
Igualdade
Fraternidade
Defendiam os burgueses
Homens e Mulheres do Povo
Pela liberdade lutaram
Pela iberdade morreram
E os opressores venceram
Os Direitos do Homem
Triunfaram
("Poesia" de Natércia Crisanto, no manual Olhar a história 8, Porto Editora, de que é co-autora)
A propósito do estranho caso do homem austríaco que prendeu a filha durante 24 anos e do aniversário do desaparecimento de Madeleine McCann, Rod Liddle publicou, na Spectator, este interessante artigo sobre a relação dos pais com os filhos, que exprime as perplexidades de quem tem a seu cargo a educação das crianças.
Num tempo em que a autoridade é olhada com suspeita e em que a menor chamada de atenção é vista como repressão, é necessário estar-se nas tintas para a moda para conseguir ser uma boa mãe ou um bom pai.
Afinal, aquela aula já era um recreio muito antes do recontro com a professora...autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música.
Que surpresa encontrar-Te ali
afundado no fracasso!(Juan Luis Lorda, O Sinal da Cruz, VIII)
No tempo da história, Cristo percorre agora uma nova Via Dolorosa. Os homens traíram-no novamente: recusaram-se a aceitar o seu ser Deus... Mas a memória dos seus milagres permanece e, por isso -não vá alguém ter a veleidade de O recordar- silenciam o seu Corpo Místico e recordam apenas as fraquezas humanas da Igreja... E voltam a clamar: Crucifica-O! E voltam a arrastá-lo como um criminoso pelas vias dolorosas deste mundo! E cospem-lhe! E batem-lhe! E flagelam-no por todos os lados! E coroam-no com espinhos! E arrastam-no para a cruz...
No tempo da história, encontramos-Te de novo afundado no fracasso. Qual o nosso lugar nesta deixa? Judas, o traidor? Anás e Caifás, os guias cegos? Pilatos, o homem do consenso? Pedro? Simão? João? Maria?
No tempo da história, que o Teu aparente fracasso não nos impeça de vislumbrar o Teu triunfo!
(Rogier van der Weiden, Descida da Cruz, Museu do Prado)
Como um personagem mais...
90.000 professores é muito professor... No entanto, mais que a sua oposição à ministra, choca-me a sua união com ela: então não é terrível ter 90.000 professores a defender a escola pública (leia-se, estatal) para todos?
Alguém consegue explicar isto aos senhores da televisão?
ut diligatis invicem sicut dilexi vos.
(Jo. 15, 13)
Talvez valha a pena descrever alguns dos nossos amigos destes dias, para que se possa entender melhor este trabalho.
Quando falamos em deficientes profundos estamos a falar de pessoas que não conseguem valer-se a si próprias para a maioria das actividades que desempenham: a maioria não fala e os poucos que falam fazem-no de modo muito difícil de compreender (pelo menos para mim). Há um número muito significativo de deficientes em cadeiras de rodas, muitas vezes amarrados para não caírem nem fugirem. Há também muitos que caminham com certo à vontade, mas é necessário ter especial cuidado com esses, para que não fujam quando se está mais distraído.
É interessante ver como o pessoal do centro (empregadas, terapeutas, etc.) exige os deficientes: a quem pode comer por sua conta, não se dá comida; quem tem capacidade para comer de faca e garfo não come só com a colher; os que podem beber a água por um copo, não bebem por uma palhinha… Isto pode parecer óbvio, mas quando se trata de um centro com quase 70 deficientes, o mérito é muito mais significativo. Tal como na educação das crianças, muitas vezes é mais fácil fazer que ensinar: o trabalho que dá limpar a mesa, o babete e a roupa de alguns deles no final de uma refeição poderia sugerir que é melhor dar-lhe a comida à boca. Mas estamos a falar de pessoas, únicas e irrepetíveis e, por mais incrível que possa parecer, pessoas com uma missão providencial. Na sequência do meu texto de ontem, encontrei uma citação de João Paulo II, recolhida num discurso de Bento XVI, que aponta caminhos para o enquadramento do mistério do mal:
O mal... existe no mundo também para despertar em nós o amor, que é dom de si...
(João Paulo II, Memória e Identidade, citado por Bento XVI, Discurso à Cúria Romana para apresentação do votos de Boas Festas, 22.XII.2005)
Não sei se terei muito tempo para prosseguir, ao longo desta semana, com estas considerações… De qualquer modo, lanço-me a elas na esperança de perpetuar a intensidade destes dias em que (não por mérito próprio, mas por força das circunstâncias) me encontro no meio de um dos mais belos locais para passar esta Semana Santa.
Há numa das cidades do interior deste país, escondido por uma urbanização de subúrbios, um local extraordinário. Não tem visibilidade nem é conhecido pela maioria dos habitantes da cidade: um cartaz bastante tosco e com letras pequeninas, à entrada de uma estradita de alcatrão coberto de pó, indica o acesso a uma grande casa.
É uma casa de gente inútil: nunca fizeram nada na vida… Bem: alguns fizeram! Tinham os seus trabalhos, as suas famílias, os seus caprichos até que a vida lhes trocou as voltas. Desde então tornaram-se totalmente inúteis. Aliás, dizer que são inúteis é pouco: além de nada produzirem são uma fonte de despesas quer para as suas famílias quer para o Estado, uma vez que aquela casa se mantém com o apoio significativo da Segurança Social. Não só não produzem, como gastam, e gastam bem! Além da alimentação normal de uma pessoa, têm encargos elevadíssimos em medicação, fraldas, camas articuladas, cadeiras de rodas. E como se tudo isto não bastasse, são exigentes: têm que vestir roupa diferente várias vezes ao dia, mudar diariamente a roupa da cama, pedem quem lhes dê a sopa, quem lhes lave os dentes, quem lhes dê banho ou os limpe depois de irem à casa de banho… Isto para já não falar do apoio médico ao domicílio (exigindo frequentes vezes a experiência de especialistas) nem do apoio de terapeutas, fisioterapeutas e uma multidão de empregadas…
Esta casa é, como já se deve imaginar, um centro de apoio a deficientes profundos: nenhum dos habitantes desse centro sobreviveria sem o apoio de alguém: a maior parte não fala, não sabe comer por si, não tem aquilo que nós achamos tão importante: um sentido para a vida! Alguns mal se apercebem de que estão vivos…
Porquê? Porquê o seu sofrimento? Porquê os sofrimentos das sua famílias? Se há um Deus Bom, como explicar estes erros da genética? Bem sei que entrar nestas questões é entrar num dos mais profundos mistérios do Homem: o mistério da dor, que é parte daquele mistério ainda mais profundo que é o mistério do mal! Os teólogos sempre insistiram, no entanto, em que a dor física não é propriamente um mal. Se o mal é a ausência de um bem devido e se Deus permitiu que as pessoas vivessem com deficiências, é porque, nesses casos, a saúde não é um bem devido. Isto é: a pessoa desempenha a sua missão sem, para isso, necessitar de saúde. Isso é evidente em todos aqueles que usamos óculos… No entanto, nesta casa o mistério adensa-se, porque a dor é bem maior que a minha dioptria…
Mistério, sem dúvida… Porque manter essa inutilidade? C. S. Lewis resume, numa frase, um esboço de resposta:
God whispers to us in our pleasures, speaks in our conscience, but shouts in our pains: it is His megaphone to rouse a deaf world.
Neste mundo de surdos, neste mundo em que frequentemente nos centramos em nós próprios, nos nossos quotidianos tantas vezes mesquinhos, estes “inúteis” relembram-nos que há vida fora de nós, que há vida que pede amor… Neste mundo em que há um “consenso alargado” em torno do direito destas pessoas a não nascer, a sua presença incómoda, esbanjadora e “inútil” é um tesouro que só aqueles que os viram sorrir conseguem valorizar devidamente!