4.7.09

When in the Course of human events...

...it becomes necessary for one people to dissolve the political bands which have connected them with another, and to assume among the powers of the earth, the separate and equal station to which the Laws of Nature and of Nature's God entitle them, a decent respect to the opinions of mankind requires that they should declare the causes which impel them to the separation. (continua)

5.6.09

EU Profiler



Será que acertaram?

28.5.09

Ele não há cartéis...

Ele não há cartéis nos grupos petrolíferos...
Ele não há combinações nenhumas entre as gasolineiras...

Mas hoje, enquanto me deslocava do Porto a Lisboa, via os maravilhosos novos cartazes com indicações de preços de combustível. Invariavelmente, entre as 3 empresas que têm bombas de gasolina na A1 (6 ou 7 áreas de serviço conforme contemos, ou não, com a de Gaia), 2 tinham o gasóleo a 0.999€ e uma a 0.998.

Claro que fui para a de 0.998, porque é aquela que me dá valores mais interessantes em termos de competitividade e concorrência e, sobretudo, porque era a que estava mais próxima quando chegou a altura de meter gasóleo. Ganhei 5 cêntimos depois de atestar o depósito com 50 litros!!!

Valha-nos este maravilhoso preciosismo da milésima!!! Estou rico... só é pena que os 5 cêntimos não cheguem para um cafezito num tasco normal, quanto mais para um café numa área de serviço de auto-estrada!

15.4.09

Despropósito a propósito de um comentário ao IRS

É curiosa a referência ao "mecenato social" no comentário de RGG à desilusão de Pedro F. sobre o seu IRS.

Falava uma vez com o director de uma instituição de estudos superiores de empresas sobre mecenas para restauro de peças de museu... a sua resposta foi curiosa: mas alguém tem interesse nisso?


Ainda que os retornos em IRC possam chegar aos 130%, não deixa de ser estranho que tão pouco mecenato exista em Portugal!

7.4.09

IRS

É isto todos os anos:

- como não necessitei de ir a hospitais...
- como não beneficiei de comparticipações nos medicamentos...
- como não frequentei nenhuma escola...
- como não tenho dependentes a meu cargo em nenhuma das situações descritas...
- como declaro ao Estado todos os meus rendimentos...

... toca a pagar mais uma batelada de IRS! Chego a pensar que mais me vale uma doença daquelas que eximem do pagamento de impostos!

Simultaneamente, é engraçado que o livro de história dos meus alunos diz que era terrível a carga fiscal exigida pelos senhores da Idade Média. Pois eu, na nossa sociedade livre dos atavismos medievais, se juntar ao IRS e às comparticipações obrigatórias o IVA e o ISP, creio que estou pior que qualquer jornaleiro do século XIV.

3.4.09

Alguém com juízo

Um tribunal do Malawi achou que Madonna não era idónea para adoptar uma criança do país.

1.4.09

O Programa ABC

Não deixa de ser patológica a obsessão pela defesa do preservativo. É este um estranho comportamento porque se sabe que o preservativo é falível como método de contracepção e, consequentemente, mais riscos corre quem o usa como protecção contra a Sida cujo vírus é 500 vezes menor do que o espermatozóide. Além disso não protege de outras doenças sexualmente transmissíveis como o papiloma humano cujo contágio se faz pelo contacto pele-pele…

Desde há 15 anos que no Haiti, Guiana, Vietname e em países africanos, especialmente no Uganda onde a experiência foi iniciada, a Sida está a ser debelada com assinalável êxito pelo Programa ABC: Abstinence, Be Faithful, Condon (Abstinência, Fidelidade, Preservativo).

Esta realidade mostra que debelar a pandemia da Sida e de outras Doenças Sexualmente Transmissíveis, mais do que a distribuição de preservativos, envolve a promoção de outro tipo de comportamentos, “politicamente incorrectos” porque lesivos de grandes interesses ideológicos e económicos internacionais promotores do “sexo seguro” mas, certamente, mais eficazes.

Entre as acções possíveis podem salientar-se:
Educar para uma sexualidade responsável que permita entender que o outro é um dom e não um descartável para usar e deitar fora;
Desenvolver políticas que evitem uma actividade sexual precoce dado que, na adolescência, a capacidade genital não anda associada a equivalente maturidade psíquica;
Promover a Família, a fidelidade conjugal e a relação monogâmica estável entre parceiros não infectados;
Ir contra-corrente de interesses ideológicos e económicos que pretendem fazer crer que o adolescente e o adulto têm de comportar-se como animais determinados pelo instinto cego e não como pessoas humanas capazes de ter afectos, de raciocinar, de respeitar a própria intimidade e a alheia, de agir como seres livres e responsáveis.
Deixar de promover paliativos como se de remédios mágicos e absolutos se tratasse. O preservativo pode ser um recurso falível para situações extraordinárias de comportamento sexual permissivo, mas nunca a solução segura para a sexualidade irresponsável e promíscua.
Dar corpo a políticas educativas, sociais, económicas, de saúde pública que erradiquem, cada vez mais, a pobreza material e espiritual responsável por comportamentos desvirtuados;
Assumir que a resposta à pandemia da sida tem de ser multidimensional não podendo, consequentemente, reduzir-se à publicitação do uso e oferta de preservativos com enorme custo para o erário público;
Aceitar, sem complexos, que a vivência de conceitos morais nas relações sexuais, ajudam a diminuir a infecção, e não são uma intromissão abusiva da Moral na Saúde Pública. São, pelo contrário, um valor acrescentado e um bom recurso sanitário;
Consciencializar que promover, sem um esclarecimento sério dos riscos de contágio, o preservativo como panaceia universal para a sexualidade desregrada, é, salvo melhor opinião, o mesmo que promover a roleta russa. É esta, um jogo que consiste em introduzir uma bala na câmara de um revólver, rodar o tambor e apertar o gatilho apontando à própria cabeça. Se pensarmos que o preservativo apresenta um risco de cerca de 20%, numa relação com pessoa infectada e a compararmos com o risco que corre quem joga a roleta russa, a probabilidade de morrer como consequência do acto é, objectivamente, a mesma.

Alguns Tópicos De Educação Familiar

Ter ideias claras sobre a educação a dar aos filhos de modo que venham a ser, no futuro, homens e mulheres íntegros, capazes de enfrentar com espírito aberto as situações que a vida lhes depare servindo os seus semelhantes por amor e dominando as coisas pelo saber.
É mais importante dar atenção à formação moral dos filhos do que à carreira de sucesso que não sabem se irá acontecer

Aproveitar, para alcançar aquele objectivo, os Instintos-Guia, os Períodos Sensíveis que ocorrem nos primeiros 12 anos de vida, e o desenvolvimento das Virtudes Humanas ao longo da infância e da adolescência.

Viver com coerência de princípios e exemplo de luta interior, com unidade de vida, para resolver, de acordo com os ideais que defendem, os problemas que a vida lhes depare.

Ter presente que a participação activa do pai na educação dos seus filhos, sem delegar na mãe aquilo que por mútuo acordo e especificidade lhe cabe realizar, é fundamental para que filhos e filhas interiorizem, compreendam, assumam e valorizem a sua própria identidade sexual e o contributo pessoal que cada um, cada uma, pode dar à família e à sociedade em que está inserido.

Desenvolver nos filhos uma rebeldia educativa em função dos valores perenes, próprios dos homens e mulheres de todas as épocas, não sentindo necessidade de os proteger exageradamente dos muitos perigos que ameaçam a felicidade terrena e eterna dos seus filhos.

Transmitir com clareza os critérios que marcam a linha de fronteira entre o Bem e o Mal.
O fundamento desses critérios pode consubstanciar-se, caso a caso, com o seu acordo ou desacordo com a Lei de Deus para os crentes e com a Lei Natural para todos os homens.

Manter uma constante comunicação com os filhos, com todos e com cada um individualmente. Periodicamente dar tempo a cada um deles para conhecer bem os seus anseios e dificuldades, a situação de estudo/trabalho: ambiente de trabalho, colegas, amigos, dificuldades e êxitos, definir metas e os meios necessários para os alcançar, verificar ritmos e adaptá-los quando necessário, animar, premiar e castigar…
Falar da história da família porque quem não tem raízes não sabe as suas origens e, consequentemente, não sabe se deve prosseguir ou corrigir o rumo… Também se aprende com os erros e fracassos que devem ser encarados como estrume que se enterra para produzir melhores e abundantes frutos.

Controlar a televisão e o computador. Ambos devem estar em zonas comuns da casa. Sente-se hoje a necessidade de promover e frequentar cursos básicos de informática para pais e avós.
Fomentar a vida de oração na família e a confiança na Providência Divina tendo consciência de que “Família que reza unida permanece unida” (João Paulo II)

Actuar em sintonia, de comum acordo, sem que o pai ou a mãe se desautorizem um ao outro. Se perante uma actuação do cônjuge o outro não está de acordo, salvo num caso de extrema gravidade não deve intervir. Oportunamente, longe da vista e dos ouvidos dos filhos, podem e devem analisar o caso, rectificar. prever, debater e clarificar actuações futuras.

Respeitar e valorizar o cônjuge na sua pessoa, no seu trabalho, nos seus comportamentos e altitudes… O cônjuge é aquela pessoa sem a qual os filhos do casal não existiriam. Com outros pais seriam outras pessoas, não eles próprios. Por isso qualquer filho escolheria, naturalmente, os seus próprios pais

Ver os filhos como seres capazes de amadurecimento pessoal.

Viver as convicções religiosas com seriedade. Ocupar-se da formação moral e religiosa dos seus filhos. “A tarefa educativa consiste, principalmente, em ajudar os jovens a encontrar o Deus verdadeiro para que, levados pela graça, se enamorem d`Ele. E, assim, tornarão o mundo mais humano” (Jutta Burgraff)

21.3.09

Uma boa ideia...

Ou, na versão portuguesa:

19.3.09

O Papa, a Sida e a Liberdade... outra vez!

A propósito da mais recente polémica em torno de declarações do Papa, parece-me oportuno este texto, aqui publicado quando, após a morte de João Paulo II, se falou da crítica do preservativo na prevenção da Sida como um dos aspectos negativos do seu pontificado:

"A falácia é a seguinte: 1) o Papa condena o uso do preservativo; 2) o preservativo é o melhor meio de combate à sida; 3) conclusão: o Papa é contra a prevenção da sida! [...]

O aspecto mais bizarro desta lógica é o seguinte: as pessoas que não se importaram com a doutrina da Igreja na altura de uma relação extra-matrimonial [...] deixam de usar preservativo porque o Papa manda?!

Numa sociedade erotizada como a contemporânea o argumento parece ter valor: a exaltação do sexo supôs que o Homem não é capaz de contrariar os seus apetites sexuais! Logo, João Paulo II poderia ser condenado por propor uma doutrina inconciliável com a condição humana! Mas, para que este argumento seja válido, é exigida uma visão laxista sobre a sexualidade. Quando os media especulam sobre a vida sexual das figuras públicas; quando o mercado da pornografia está num crescimento extraordinário; quando os publicitários usam o sexo para vender tudo, desde os automóveis às cervejas; então é provável que se considere desumana a doutrina da Igreja sobre a sexualidade.

Eis aqui, no entanto, o aspecto em que João Paulo II foi, de facto, um campeão da liberdade: mais que na luta contra a tirania política, procurou afirmar que só a cultura poderia dar a verdadeira liberdade ao Homem, uma vez que só pela cultura o homem se distingue dos animais. A doutrina da Igreja sobre a sexualidade (em particular a teologia do corpo de João Paulo II) é uma afirmação de liberdade, uma afirmação de humanidade, uma rebeldia contra a espontaneidade dos instintos própria da vida selvagem! Afirmar que o Homem não é livre em matéria sexual é, de facto, obrigá-lo ao preservativo. Mas a doutrina do Papa (e o seu exemplo, e o de tantos milhões de católicos que são fiéis à doutrina da Igreja) sempre afirmou que o homem não estava condenado ao deboche e à promiscuidade. Terão aqueles que cederam à infidelidade matrimonial, levando silenciosamente a sida para o interior das suas casa, deixado de usar preservativo por respeito à autoridade papal? E os homossexuais? E os jovens que, instigados por uma imprensa e por uma televisão insinuante ou agressiva, viveram de modo promíscuo a sexualidade?

[...] É obrigatório reconhecer que se os princípios [da moral sexual católica] fossem mais difundidos a pandemia da Sida não teria atingido proporções tão elevadas, pelo menos nos países de tradição católica.

Supor que o Homem não é capaz de resistir aos seus instintos sexuais equivale a colocá-lo numa categoria infra-huamana: e como pode uma sociedade democrática sobreviver se, em vez de cidadãos, é constituída por bichos?"

4.3.09

A Relação Conjugal Relação Educativa

A relação entre pessoas, particularmente se convivem, pode ser sempre uma relação educativa própria da amizade verdadeira que não é simples compinchice ou cumplicidade mas que procura ser uma ajuda leal e oportuna a que o outro seja mais e melhor pessoa.

Um dos aspectos que caracterizam a relação educativa é que só se pode ajudar verdadeiramente a melhorar se houver da parte de quem educa um real esforço de melhora pessoal. Por isso a acção educativa é muito gratificante porque, naturalmente, se transforma num movimento ascendente que beneficia todos os que dela participam.

Vocacionados a viver conjugalmente – sob o mesmo jugo e a “puxarem” no mesmo sentido – a relação conjugal é, por natureza, uma relação educativa ou, pelo menos, apta para a educação.
Afirma Pieper que “amar é aprovar - dar por bom – é dizer: é bom que sejas tu, é bom que estejas aqui, é bom que sejas o que és pois, no que és, és digna de estima e eu aprovo-te.”
No entanto, “amar e aceitar os defeitos do cônjuge” não é o mesmo que “resignar-se com eles”. Por isso, natural, é esforçar-se por descobrir, sem projecções pessoais, o que o outro necessita e ajudá-lo a realizar a sua vocação, aquilo que ele está chamado a ser como cônjuge, pai/mãe, amigo(a), profissional….Certamente muito mais e melhor do que, em qualquer momento, se imaginou.

Na relação conjugal, é necessário que cada cônjuge desenvolva, em relação ao outro, a Generosidade (dar o que me pertence, dar-me a mim mesmo) e a Justiça (dar aquilo que lhe é devido, o seu).

Cada cônjuge pode, por exemplo esforçar-se por:
Dar ao outro aquilo que ele realmente necessita: o que lhe faz bem (manter o arranjo pessoal e a afabilidade do tempo de namoro, proporcionar um momento de repouso…); o que o afasta do mal (usar, ajudar a usar, vestuário que revele respeito por si próprio e pelo cônjuge a quem deve o seu corpo, evitar amizades ou comportamentos que ponham em risco a fidelidade conjugal, as obrigações familiares, profissionais….);
Desenvolver em si próprio as qualidades que o cônjuge necessita que ele possua (alegria, bom-humor, capacidade de ajudar, atenção à realidade…).;
Procurar as ajudas necessárias quando excedem as suas possibilidades (oferecer um bom livro, proporcionar uma boa amizade, sugerir a participação conjunta em actividades de formação…).

Mas esta relação de ajuda mútua à melhora pessoal pode perder eficácia se um dos cônjuges, ou ambos, não a consideram vantajosa por ignorância…, por soberba… Quem está convencido que atingiu a perfeição tem pelo menos um defeito: o de julgar que não tem necessidade de crescer em qualidades pessoais. E este estar instalado no seu “bem-ser”, no seu “bem-fazer”…, é causa de muitas situações de cansaço, de rotina, de insatisfação e desarmonia conjugal.

Na guerra solidária da Educação não há vencedores nem vencidos porque ou todos ganham ou todos perdem. Por isso, uma virtude que deve estar sempre presente é o optimismo, a qualidade daquele que põe, a si próprio, metas nobres, elevadas mas exequíveis, e põe, com perseverança, os meios necessários para as alcançar.

Ganha a guerra quem vence a última batalha, mesmo que tenha perdido todas as anteriores. E a última batalha só se perde realmente se não se ganha a que se trava à hora da morte.
No casamento, como na vida, um bom lema pode ser: “aceito-te tal como és mas também como estás chamado a ser e que, no entanto, ainda não és”

15.2.09

O ensino da História

Este post pode ter parecido algo enigmático. Ele surgiu na sequência de uma série de reflexões em torno à repetição, passados quase dez anos, da experiência de dar aulas de História a alunos do 7º ano e, acima de tudo, pelo espanto com a pobreza do manual que, nos anos anteriores, tinha sido seleccionado. Como confio nos meus colegas que fizeram a selecção, calculei que a opção fosse a menos má, facto que confirmei, quer nas conversas com os reponsáveis pela escolha quer pela análise de outros livros de texto que folheei.
O problema supera, no entanto, os manuais, situando-se nos próprios programas. Isto não desculpa os autores, que podiam tornear as questões, principalmente porque, sendo muitos deles relativamente jovens, tinham obrigação de ter aprendido algo nas universidades.
Mas não: parece que passaram pela Universidade sem adquirirem uma ideia nova ou uma perspectiva crítica sobre a cartilha que tinham estudado do 5º ao 12º ano. Mais de 30 anos volvidos sobre o PREC, as perspectivas dominantes continuam a ser as de uma liberdade adquirida pela luta e de um progressismo naïf, entusiasmado com o iluminismo e o positivismo, exaltando as vanguardas e criticando o conservadorismo das classes dominantes.
Além disso, a enfatização da História social e a marginalização da História política (herdada dos debates do séc. XX), ao exigir instrumentos metodológicos que estão além das possibilidades de um estudante de 12 anos, só com muito esforço pode gerar mais do que páginas vazias dedicadas ao quotidiano da antiguidade. Curiosamente, os alunos continuam a fazer as mesmas perguntas: quem matou César? Porquê? Moisés atravessou mesmo o Mar Vermelho? Porque é que os Egípcios mumificavam os corpos?
Dependendo do que se esperar da escola, o ensino da História deverá seguir uma ou outra orientação. Orientação não apenas na perpectiva ideológica (que é razoável que varie de acordo com o projecto educativo da escola) mas, pelo menos, na adequação ao meio em que a escola se insere, às características sócio-económicas dos alunos, etc.
Mas um professor que quiser dispensar um manual e usar, por exemplo, apontamentos da sua lavra, deverá pedir autorização à Direcção Regional de Educação respectiva. Isso mesmo: ela não informa: deve pedir autorização. Para que a autoridade possa vigiar o que se anda a ensinar?
Provavelmente, as críticas acima lavradas poderiam confundir-se com a ideia de que as autoridades não percebem nada sobre História. No entanto, tal suposição seria injusta: o controlo burocrático exercido sobre a escola revela que quem manda conhece muito bem, pelo menos na prática, o poder do ensino, e em particular o do ensino da História.

13.2.09

Estarão os portugueses preparados?

Com frequência ouvimos os políticos, a propósito de alguns temas mais melindrosos, dizer: não sei se os portugueses estarão preparados para esta discussão.
Foi assim com o aborto, é assim com o “casamento” entre homossexuais e está a ser assim com a eutanásia.

O que me questiono é se a afirmação está bem construída. Não ouvimos, normalmente, essas afirmações da parte dos que estão contra. Ouvimo-las, isso sim, da parte dos que se posicionam a favor de qualquer um daqueles actos. A afirmação deveria ser algo como: não sei se já haverá muitos portugueses a apoiar-nos nesta discussão.
É que os portugueses discutem com frequência (eu sou português e a maioria das pessoas com quem lido diariamente também o são) estes temas. Casamento dos homossexuais, eutanásia, aborto (incluindo o, para mim horrendo, partial birth abortion), se os padres se casam, se as mulheres podem ser padres, a guerra no Iraque, os mortos nos campos de concentração, os casos Freeport e Casa Pia, etc., são conversa diária de café.
Os portugueses estão preparados e desde há muito que discutem estes temas. Todavia, os portugueses ainda não aceitam, isso sim, totalmente as ideias de alguns ideólogos que apoiam actos atrozes sob a capa de um sentimentalismo absurdo. Graças a Deus!

O atestado de estupidez e de insignificância que nos passam estes políticos é de tal forma elevada que só merece uma resposta da nossa parte: os portugueses ainda não estão preparados para aceitar tão vergonhosa classe política...

12.2.09

E se pusermos umas bombas?

O deputado Holandês autor do filme Fitna, que associa o Corão ao terrorismo, foi proibido de entrar no Reino Unido...

11.2.09

11 de Fevereiro

Gostaria aqui de recordar o dia 11 de Fevereiro…
Dirão: 11 de Fevereiro?
Sim. Pior do que o 11 de Setembro ou do que o 11 de Março foi o nosso 11 de Fevereiro.
As vítimas do 11 de Setembro e do 11 de Março têm nomes. As vítimas de cada uma dessas datas têm um número determinado.
As vítimas do 11 de Fevereiro de 2007 serão incontáveis para sempre, não têm nome, não têm comemorações, não têm nada, porque tudo lhes foi negado antes de nascerem!


Peço a Deus pelos pais, muitas vezes sem capacidade para buscar ajuda numa situação de crise grave. Peço a Deus por todo o pessoal médico que aceita perpetrar estes actos. Peço a Deus por todos os que, médicos ou não, o continuam a fazer ilegalmente causando, tantas vezes, danos irreversíveis às mães.
Peço a Deus por todas as vítimas de aborto em Portugal!

Doublethink

A exploração de imagens chocantes pelos defensores da vida (as do aborto, por exemplo) é uma forma de terrorismo psicológico. A exploração de imagens chocantes pelos partidários da eutanásia é uma forma de elucidação da sociedade, admissível até em media politicamente correctos como a BBC. (Atenção, contém imagens chocantes)

8.2.09

Coincidência...

Sentei-me ao computador para escrever um pouco sobre o ensino da História e, antes de começar, dando uma volta pelos meus favoritos, encontrei este artigo na Spectator. Achei que estava tudo dito!
The oral epics of pre-literate cultures, from Homeric Greece to the Siberia of Maadai-Kara, saw poets revered as the guardians of national consciousness. In denying children the thrill of our own epic historical narrative we also deny them the option to compare, to judge, above all to refuse. Surely the point of all humanities teaching is not the regurgitation of whichever facts the government deems appropriate, but the ability, quite simply, to think?


7.2.09

Não há paciência...

Na mesma edição do Público em que se alerta, de modo alarmista, para o avanço da extrema-direita israelita, faz-se um retrato complacente (para não dizer entusiasta) do novo líder da extrema-esquerda desse país.
Não estudaram história?

4.2.09

Ooops!

Estranho que, neste caso do Bispo que negou o holocausto, os mesmos que advogam maior liberdade na Igreja vêm agora exigir uma proclamação dogmática sobre o Holocausto... Tal como o Cipriano, não estou a negar o Holocausto nem a desculpar o referido Bispo. Estou espantado pela confusão que reina em tantas cabeças, ou pela desonestidade, que se aproveita de qualquer acto para criticar o Papa e o Vaticano.

1.2.09

Yes, he can!*

Pode um bispo dizer que não acredita no holocausto? Sim, pode!
Pode um bispo dizer que não acredita nos átomos? Sim, pode!
Pode um bispo dizer que não acredita que o homem chegou à lua? Sim, pode!
Pode um bispo dizer que Picasso não sabia pintar? Sim, pode!
Pode um bispo dizer que foram o extra-terrestres a construir Machu Pichu? Sim, pode!
Pode um bispo dizer que Jesus Cristo não ressuscitou? Não, não pode!
Pode um bispo dizer que o Papa não é a cabeça da Igreja? Não, não pode!
Pode um bispo dizer que a Sagrada Eucaristia é apenas um símbolo de Deus? Não, não pode!
Pode um bispo dizer que a Santíssima Virgem Maria não foi concebida sem pecado? Não, não pode!
Há uma grande diferença entre as primeiras 5 perguntas e as últimas 4: só as últimas representam verdades de Fé e só as últimas obrigam directamente o Bispo Católico a defendê-las, se necessário, com a sua própria vida. Se o bispo disser que sim a qualquer uma das 5 primeiras questões, posso achá-lo um tontinho. Mas se o bispo afirmar todas as verdades de FÉ, nada lhe posso apontar directamente ao seu ministério.
As afirmações que têm sido levadas a cabo a propósito do Bispo Richard Williamson apenas me levam a pensar no seguinte:
1- Que, tal como na parábola, muitos católicos não estão dispostos a receber o irmão “pródigo", aquele que deixou a casa do Pai e a quem o Pai, na pessoa do Papa, recebe depois com amor!
2- Que os Judeus, passados mais de 50 anos sobre a 2ª Guerra Mundial, deveriam deixar-se de ser tão sensíveis. A ser verdade que alguém sugeriu já o corte de relações com o Vaticano, só demonstram não estar à altura de conseguir distinguir entre os assuntos de fé e outros. Por favor… não nego o Holocausto – até porque se o fizesse podia ir para a cadeia por negacionismo ou revisionismo histórico, verdade?
3- A entrevista do Bispo Williamson foi gravada em Novembro e passada só agora… A eficiência de quem gravou a entrevista deixa muito a desejar, ou estiveram à espera de uma oportunidade especial para a lançar?
* O título do post vem na sequência das palavras de Hans Kung que sugere um Obama como Papa. Hans Kung propõe, neste sentido, não só um Papa negro (o que nada me repugna) mas, também, um Papa abortista… Neste caso, já me sinto um pouco mais confundido. Mas depois que Saramago beatificou Obama, já tudo é possível.

30.1.09

Serviço Público

Helena Esteves, num noticiário da Antena 2, anuncia o início de duas iniciativas: o "Fórum dos Ricos", em Davos, e o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre (sic).

20.1.09

É impressão minha... (III)

... ou Obama começou o dia com uma ida à igreja?

É impressão minha... (II)

... ou Obama tem na pasta da defesa o mesmo secretário que W?

19.1.09

É impressão minha...

... ou Obama vai ser uma desilusão para tantos que agora o louvam?

2.11.08

Perdigão perdeu a pena...

... Não há mal que lhe não venha

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.

Quis voar a uma alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.

(Luís de Camões)

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O entusiasmo de Portugal com Obama permite entender porque é que Sócrates continua a sair-se menos mal nas sondagens.

22.10.08

E se pusermos umas bombas?

Para ridicularizar Sócrates e o Megalhães, os Gato Fedorento recorrem a uma sátira que arrasa a cerimónia mais sagrada do católicos.
Entretanto, a BBC informa que não permitirá nos seus canais programas que satirizem o islão.
E que tal se pusermos umas bombas? Infelizmente, parece que a noção de respeito só se consegue explicar a alguns democratas com a linguagem da violência!

26.9.08

Recuperar O Papel do Pai Na Família

O remoinho em que se transformou o dia a dia de muitas pessoas e as suas consequências na vida pessoal e familiar são, actualmente, motivo de reflexão. Com efeito, o acesso ao trabalho fora de casa, onde continua a imperar o modelo masculino, e o conhecimento dos mecanismos da sua fecundidade criaram à mulher uma nova situação que tem de ser repensada pelo casal e pela sociedade

Na vida familiar, quantas vezes acontece que, ao nascerem os filhos, desaparece a troca de impressões entre os cônjuges exactamente no momento em que era mais necessária. O diálogo entre o casal passa a ser quase um monólogo a dois: “são precisas fraldas”; “tenho de dar banho ao menino”; “estou estoirada”, “não tenho tempo, passa pela creche...” Daqui às queixas, às frustrações, às discussões, às atitudes e palavras desabridas, aos mal entendidos, à separação pode ser um percurso muito rápido. Tudo isto quando a criança precisa de presença atenta dos pais, de serenidade, de carinho...

Hoje, felizmente, não poucos maridos partilham as tarefas do lar, Mas, este comportamento está longe de ser maioritário e o conhecimento de algumas situações permite interrogarmo-nos se, por vezes, de parte a parte, não existe alguma responsabilidade nessa falta de colaboração.

De facto, por natureza e educação, não é por acaso que durante a gravidez e o parto se gera uma especialíssima relação de intimidade cúmplice entre mãe e filho, a mulher tende a assumir a maternidade como algo seu, relegando, para segundo plano o papel do pai. Tratar do filho é, para ela, uma atitude estrutural...E não se dá ao pai sequer o direito e a possibilidade de aprender. A mulher tende a assumir-se, sempre, como a principal, por vezes a única, responsável pelos filhos e pela casa.

Este estilo de comportamento, agravado pela educação e tradicional falta de generosidade masculina, leva progressivamente o homem a alhear-se das coisas do lar, a refugiar-se no trabalho, que passa a ser a sua única fonte de afirmação e de auto estima, Consequentemente, está todo o dia fora de casa, convencendo-se, ou procurando convencer-se e convencer, que, no material, se esgota o seu papel de pai. Deste modo está ausente das suas responsabilidades na educação dos filhos, nas tarefas do lar, no conhecimento e solução dos pequenos problemas domésticos do quotidiano...

Devo recordar que o homem, neste aspecto da ajuda em casa, está numa posição difícil, pois, por um consenso habitualmente aceite, é chefe de estado numa situação em que a mulher é primeiro-ministro. Por isso é necessário acertarem conjugalmente o passo de modo a levarem juntos para a frente, com harmonia, a família que fundaram.

No quotidiano, a maior parte das situações são opináveis, com várias soluções possíveis, embora passíveis de serem melhoradas.

Essencial é que o trabalho se faça. Quem quer ser ajudado, por uma simples questão de justiça e bom-senso, tem que aceitar e valorizar essa ajuda nos termos e na medida em que o outro lha pode dar. E se, ouvido o outro, existem razões válidas para querer que se faça de determinada maneira é necessário expô-las com afabilidade e clareza e dar-lhe todo o tempo necessário para as assimilar e pôr em prática. Porque uma razão sem razões válidas deixa de ser razão para se tornar numa prepotência.

Vejamos duas situações concretas:
Será mais valioso fazer o jantar para toda a família ou levar os filhos à aula de música, com invernia ou estiagem e esperar por eles ocupando bem o tempo?
Se, aparentemente, tanto dá pôr a mesa usando copos iguais que, por questões de arrumação, estão em duas prateleiras do mesmo armário vale a pena fazer uma guerra porque um tira os copos de baixo e o outro acha que se devem usar os de cima?

Hoje há que pedir e possibilitar à mulher que, antes de se esgotar, se modere no seu afã de fazer. Em tudo, excepto no amor, é necessário saber parar. Um parar que não é preguiça mas ócio, tempo para ser, para crescer interiormente, para se abastecer, para renovar forças, para seguir voando mais alto e melhor. Não num voo solitário e, quantas vezes azedo e neurótico, mas num voo amoroso, solidário, que arraste os outros consigo.

Portanto, é urgente restaurar o papel do pai na família: do pai que partilha o esforço da educação dos filhos e as cargas do lar, do pai que apoia os projectos profissionais da mãe dos seus filhos, do pai que pelos meios socio-políticos ao seu alcance contribui para que cada vez mais, na sociedade humana, haja homens que sejam trabalhadores e pais e mulheres que sejam mães e trabalhadoras. Porque sem um pai e uma mãe não há família. E sem família, que é a célula básica da sociedade, não há pessoas felizes.

Onde é que isto vai parar (IX)

Em Portugal, no último referendo sobre a liberalização do abrto, argumentou-se sobre o atraso português em relação à Espanha, onde oaborto já estava liberalizado de facto. Agora, são os abortistas espanhóis que reclamam contra o seu atraso, argumentando com o avanço da lei portuguesa.
Com tanto progressismo é óbvio que o único limite será a criatividade humana...

28.8.08

Conciliar Família e Trabalho

O desenvolvimento económico do Japão levou, na década de 80, William Ouchi (1) a estudar essa realidade e a desenvolver o que designou por Teoria Z. Descobriu que “o milagre japonês” se devia à interacção de dois princípios: o interesse pela pessoa, tratada com confiança, delicadeza e respeito pela sua intimidade, que é gerador de um sentimento de lealdade à empresa e do interesse pela produção.

Na mesma altura, começaram a surgir nos países mais desenvolvidos Movimentos de Mulheres de sucesso na vida profissional que defendem um repensar da identidade feminina e uma maior atenção, considerada gratificante e socialmente benéfica, dada ao matrimónio, aos filhos, à família, à cultura, a actividades de voluntariado…
Estes movimentos são conhecidos como Novo Feminismo. (2)

O Relatório Bebés E Empregadores. Como Conciliar Trabalho E Família, recentemente publicado pela OCDE analisa a relação entre taxas de fecundidade e trabalho de mulheres com filhos, e revela que os Países do Norte da Europa, principalmente a Dinamarca e a Islândia, seguidos pela Finlândia, França, Noruega e Suécia ocupam a posição cimeira. Fora da Europa os Estados Unidos e a Nova Zelândia aparecem em posição de destaque. A sua análise mostra que o trabalho da mulher fora do lar não é decisivo para a queda da natalidade.

No Verão passado, publicou-se em Espanha um interessantíssimo livro, Dueños De Nuestro Destino. Como Conciliar La Vida Professional, Familiar Y Personal (3) em que as autoras, Nuria Chinchila e Maruja Moragas defendem que o primeiro passo para conciliar aqueles três aspectos é “a nossa própria vontade para melhorar a realidade em que vivemos e nos convertermos em donos do nosso próprio destino”

“Conciliar com nós próprios”, conhecermo-nos bem é, na opinião das autoras, o alicerce da conciliação. Conseguí-lo permite-nos entender melhor a realidade, descobrir a nossa própria identidade, e construirmos o nosso futuro como seres livres e responsáveis que somos. E isto consegue-se com o esforço perseverante para sermos mais e melhores pessoas; com a formação contínua nos aspectos humanos, profissionais, culturais…religiosos que permitam superar as nossas incapacidades naturais e reorientar, se necessário, as motivações que nos levam a actuar e a decidir.
Ajuda preciosa é poder contar com o conselho de um amigo experiente e leal que nos possa ajudar a traçar, e a seguir, o melhor caminho para a nossa vida.

“Conciliar com a família”, célula básica da sociedade, onde se encontra uma diversidade e variedade temporal, de relações humanas, idades, estados de ânimo, profissões, alegrias e dores…e onde cada um é aceite e querido por aquilo que é, não por aquilo que produz. Por isso a Família é, como afirmam as autoras: “o ambiente idóneo para conseguir o crescimento equilibrado e desenvolver competências pessoais e profissionais para a posterior inserção laboral e social.”
Necessário é estabelecer uma hierarquia de prioridades nas relações familiares, na família nuclear e na relação com a família extensa, que respeitem os direitos-deveres de cada um dos seus membros de molde a evitar atropelos, confusões, conflitos, desentendimentos, problemas de consciência… tendo presente que, uma “emergência”, é sempre uma emergência.

“Conciliar família e trabalho”, porque trabalhar faz parte da natureza da pessoa humana e não é um estorvo. ”A missão específica da empresa como instituição é produzir riqueza e reparti-la de modo equitativo; mas não podemos esquecer que a missão genérica de qualquer organização humana é ajudar a crescer profissional e pessoalmente as pessoas que ali trabalham e facilitar que desenvolvam entre si relações de amizade.” Por isso, várias empresas de sucesso começam a desenvolver medidas que lhes façam merecer a qualificação de Empresa Familiarmente Responsável. Porque hoje começa a ser evidente que, “para conseguir verdadeiro progresso juntamente com o desenvolvimento da eficiência técnica é necessário incrementar a eficiência humana na sociedade” e que “para que ela funcione, todos somos responsáveis e comprometidos”.

(1) WILLIAM OUCHI, La Teoria Z. Como puedem las empresas hacer frente al desafio japonês, Fondo Educativo Interamericano, México, 1982
(2) Entre outras: Eva Herman (Alemanha) Harriet Hartman (Inglaterra) Ivonne Knibiehler (França) Inda Schaenen (USA) Marianne Siegenthaler (Suiça), Katherine Ellison.(USA), Mary Anne Glendon (USA) Janne Haaland Matlary (Noruega), Sue Shellenbarger (USA), Evelyne Sullerot (França)
(3) Instituto Superior de Estúdios de la Família, UIC, Barcelona, 2007

11.6.08

Eng. Sócrates:

De que é que está à espera para mandar a tropa dispersar os motins?

22.5.08

Um livro amargo

Scott M. P Reid (Ed), A Bitter Trial - Evelyn Waugh and John Carmel Cardinal Heenan on the Liturgical Changes, The Saint Austin Press, Londres, 2000 (2ª Edição).
Why were we led out of the church of our childhood to find the church of our adoption assuming the very forms we disliked?
(Evelyn Waugh, cit. em A Bitter Trial, P 43)
Há uns quatro ou cinco anos, João Bénard da Costa escreveu um artigo relatando o seu desencanto com uma cerimónia litúrgica a que assistira. Ele, que nos anos 60 participara activamente nos movimentos que criticavam os arcaísmos da liturgia e que que acabara por romper com uma Igreja que lhe parecia presa à tradição, vinha agora lamentar que nessa cerimónia, em que participara por dever social, todas as orações tinham sido tão explicadas e os cantos tão normais que nenhum espaço sobrara para o sagrado, isto é, para uma consideração da dimensão misteriosa da fé.
Imaginemos agora uma situação inversa: a de quem, criado num ambiente protestante, passando pelo agnosticismo na juventude, se sente atraído pela liturgia e, a partir desta, se abre ao mistério que ela simboliza. E, de repente, a dimensão misteriosa da liturgia é retirada. Foi o que aconteceu com Evelyn Waugh nos últimos anos da sua vida, quando se sucediam reformas e experiências litúrgicas contínuas que viriam a cristalizar no Missal Romano de Paulo VI, publicado em 1969/70.
Waugh, mais que um conservador, era um tradicionalista. O fascínio que nutria pela vida dos aristocratas de entre-guerras ocupava um lugar de peso na sua argumentação conservadora. Por isso, na recolha da correspondência que trocou entre 1964 e 1967 com diversas figuras, em particular com o Cardeal John Heenan, Arcebispo de Westminster (reunida por Scott Reid em A Bitter Trial) não há propriamente nenhum argumento de peso contra a reforma da liturgia: Waugh lamenta o desaparecimento da ritualização, da formalidade, da solenidade aristocrática, da liturgia antiga. No entanto, por baixo da aparência superficial da sua argumentação, há uma vivência profunda de quem está a ver questionado aquilo pelo qual achou valer a pena mudar a existência: a liturgia romana fala de um mistério insondável, de um Deus feito Homem feito Pão que se celebra de modo adequadamente misterioso (e até secreto, no caso das liturgias de vários ritos orientais). Se se esvazia esse sentido do mistério, se se pretende tornar tudo inteligível (oh: o vernáculo!!!), se se abandonam rituais ancestralmente plenos de sentido (como ajoelhar durante o et incarnatus est), a Eucaristia deixa de ser identificada como Presença Real, e passa a simples recordação da vida de um Jesus cuja existência, no fim de contas, até pode ser posta em causa.
Mais interessantes, talvez, que as considerações de Waugh sobre a liturgia, porque se situam a montante dessas considerações, são duas ideias que o autor observa de modo muito crítico: uma delas é o risco de que uma vanguarda clerical se sobreponha ao sensus fidelium; a outra é a identificação dessa vanguarda como voz do laicado, reivindicando um sacerdócio comum que facilmente pode conduzir à redução do sacerdócio ministerial. Típicas apreensões conservadoras, as quais vieram a ser confirmadas pela realidade das décadas subsequentes.
Nas respostas a Waugh, bem como nas cartas pastorais, encontramos um Cardeal Heenan dividido: por um lado, está consciente dos aspectos positivos da reforma; por outro lado, receia o impacto das alterações, principalmente entre os católicos mais velhos e os conversos; sempre, mostra-se publicamente submisso ao magistério, sem com isso deixar de lutar nas sedes próprias para que os que quiserem possam celebrar no rito antigo. O aspecto mais significativo desta atitude é o contraste das cartas pastorais, em que anima os seus fiéis a conhecer e a viver a nova liturgia, com a vigorosa intervenção no Sínodo dos Bispos de 1967, em que alerta com força para os seus aspectos mais problemáticos.
Mais que uma apologia da Missa Tridentina, A Bitter Trial apresenta uma reflexão equilibrada sobre o valor e o significado da liturgia. E apresenta, ao mesmo tempo, o receio sobre as unintended consequences de uma reforma brusca. Como não ter em conta esta opinião quando ela se revela profética, como nas palavras que Heenan dirige ao Sínodo:
If we were to offer them [fathers of families and young men who come regularly to Mass] the kind of cerimony we saw yesterday in the Sistine Chapel (a demonstration of the Normative Mass) we would soon be left with a congregation of mostly women and children.
(Cardeal Heenan, cit. em A Bitter Trial, p. 70)

21.5.08

Qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência

Um dos problemas principais da dialéctica marxista é a leitura simplista da realidade que permite, leitura que, ao ser passada para um nível popular, se torna numa das maiores ameaças à liberdade: a vitimização que dela decorre abre as portas ao populismo. Infelizmente, este risco não é hipotético: depois de décadas de doutrinação, esta lógica deixou de estar circunscrita a uma parte reduzida da população e entrou na cultura. Nesse sentido, tornou-se realidade aquela ideia do PREC de que a influência social do PCP era muito maior que a sua influência eleitoral.
Considerações deste género não serão inéditas por estas paragens, mas voltaram-me à memória ao folhear os jornais atrasados da semana, quando me deparei com um artigo de opinião de José Vítor Malheiros (se não me engano, o mesmo que disse que em Portugal se lia pouco devido ao frio...).
Ora: este senhor disserta sobre o número de atropelamentos em Lisboa, e mostra-se chocado com o facto de 38% desses atropelamentos acontecerem em passadeiras de peões. Também a mim me choca, e concordo com ele na ideia de que esse número deveria ser 0%. Mas o número revela pouco porque, como o próprio autor indica, seria necessário saber quantos atravessamentos são feitos dentro e fora das passadeiras. Já agora, seria necessario garantir que todas as passadeiras estão bem localizadas, bem sinalizadas e respeitadas por terceiros (contentores de obras, estacionamento indevido, etc). E seria também interessante saber se os peões, ao atravessarem fora das passadeiras, estarão mais conscientes do risco, usando, assim, de maior cautela.
Como nada disto está ao alcance do autor, que tal criar uma teoria? Pois a teoria é a seguinte: há os automobilistas dominadores e os peões-que–atravessam-nas-passadeiras dominados... Os primeiros são maus, e nunca param nas passadeiras ou, se o fazem, é disfarçando o motivo; os segundos são vítimas que, cujos direitos são ignorados pelos dominadores. Mais difícil é a caracterização dos peões-que–atravessam-fora-das-passadeiras, que parecem ser respeitados pelos automobilistas pela audácia que revelam. Ainda estamos a meio do artigo e ficou já patente o delírio do autor: qualquer semelhança entre o a realidade ficou lá para trás, nos primeiros parágrafos, porque ela é muito pouco interessante, se comparada com uma boa teoria.
Fiquei pelo meio do artigo, pelo que não confirmei se, no final, não haveria um disclaimer como nos filmes, dizendo: esta é uma crónica de ficção e qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência.

11.5.08

Help!!!

Nunca conheceremos ao certo o número das vítimas do medo a sermos chamados conservadores.
Li esta frase (ou semelhante), como sendo de Orwell. Se alguém a conseguir localizar, avise, para poder citá-la com propriedade.

9.5.08

Sem comentários...

Uma "professora de História" introduz o tema sobre Revoluções Liberais com esta medíocre peça de propaganda:
Tempos de Revolução
Vida difícil
Era a do povo de então
Trabalhava, trabalhava
E nada ganhava
Pagava impostos
Prestava serviços
Entregava rendas
Aos seus patrões
Aos seus senhores
Não tinha direitos
Só tinha obrigações
Vivia na miséria
Dominado
Subjugado
Pelo clero, pela nobreza
Mas... novos ideais surgiram
Liberdade
Igualdade
Fraternidade
Defendiam os burgueses
Homens e Mulheres do Povo
Pela liberdade lutaram
Pela iberdade morreram
E os opressores venceram
Os Direitos do Homem
Triunfaram
("Poesia" de Natércia Crisanto, no manual Olhar a história 8, Porto Editora, de que é co-autora)